Alocação de dev resolve backlog, não resolve negócio quando a empresa trata capacidade como solução, em vez de tratar objetivos como norte. Em cenários corporativos, colocar mais pessoas para “queimar fila” pode aumentar throughput local, porém tende a ampliar custo de coordenação, diluir foco em outcomes e prolongar decisões de produto. Este artigo explica por que isso acontece e como líderes de tecnologia podem redesenhar o modelo de entrega para conectar engenharia, produto e indicadores de negócio.
Alocação de dev resolve backlog, não resolve negócio descreve um padrão recorrente em organizações: diante de um backlog crescente, a liderança tenta resolver o problema adicionando desenvolvedores, alocando pessoas por demanda ou “emprestando” capacidade entre times. Embora essa medida possa reduzir o volume de tarefas em aberto no curto prazo, ela geralmente não melhora os resultados de negócio, porque o backlog não é o problema em si; ele é um sintoma de decisões incompletas sobre prioridades, valor, riscos e capacidade.
Na prática, esse padrão aparece quando a empresa confunde output com outcome. Output é quantidade de entregas (tickets, histórias, features), enquanto outcome é o impacto mensurável (receita, retenção, redução de churn, eficiência operacional, mitigação de risco). Portanto, se o backlog contém itens com baixo valor, especificação incompleta ou dependências não resolvidas, adicionar pessoas tende a acelerar o desperdício, não a estratégia.
Além disso, a alocação “por demanda” costuma fragmentar ownership. Quando um desenvolvedor entra em um contexto novo apenas para executar tarefas, ele precisa de ramp-up, suporte do time receptor e tempo de entendimento de domínio. Consequentemente, o custo de comunicação aumenta e a previsibilidade cai. Em ambientes regulados ou com arquiteturas complexas, esse efeito se intensifica, porque a qualidade depende de conhecimento tácito, padrões internos e decisões arquiteturais consistentes.
Alocação de dev resolve backlog, não resolve negócio funciona como uma resposta operacional a um problema que é majoritariamente de gestão do fluxo de valor. Primeiro, o backlog cresce porque há mais demandas do que capacidade. No entanto, esse desequilíbrio raramente se resolve apenas com mais pessoas, pois o sistema tem gargalos além do código: discovery insuficiente, dependências entre áreas, filas de aprovação, ambientes instáveis, dívida técnica acumulada e ausência de métricas de fluxo.
Em seguida, a organização tenta “comprar velocidade” com alocação adicional. Porém, ao fazer isso, ela altera o sistema: aumenta o número de handoffs, cria novas dependências e frequentemente muda a prioridade em alta frequência. Como resultado, o WIP (work in progress) cresce, o lead time aumenta e o time passa a concluir itens menores para “mostrar entrega”, ainda que itens críticos permaneçam bloqueados.
Esse mecanismo é bem descrito por princípios de Lean e teoria das filas: quando você aumenta a chegada de trabalho e mantém o mesmo gargalo, a fila cresce; quando você aumenta a utilização próxima de 100%, a variabilidade explode o tempo de espera. Portanto, sem limitar WIP e sem atacar gargalos reais, a alocação adicional tende a piorar a experiência de entrega para o negócio.
Além disso, há um efeito de produtividade conhecido: ramp-up, custo de coordenação e acoplamento do time. Mesmo com excelentes profissionais, o time precisa de tempo para formar uma visão comum, alinhar padrões, revisar código, garantir segurança e testar adequadamente. Assim, adicionar pessoas em um sistema instável pode reduzir produtividade líquida por algumas semanas ou meses, especialmente em produtos com domínio complexo ou com múltiplos stakeholders.
Por fim, o maior problema ocorre quando a priorização permanece orientada a backlog, não a objetivos. Se a empresa não define claramente quais outcomes deseja (por exemplo, aumentar conversão em um funil específico, reduzir tempo de atendimento, diminuir incidentes críticos), a alocação vira uma máquina de execução. Consequentemente, o time entrega mais, aprende menos e replaneja com mais frequência.
Para uma visão executiva sobre produtividade e gestão em trabalho do conhecimento, vale consultar a análise da Harvard Business Review. Além disso, discussões de liderança e alocação estratégica aparecem frequentemente em pesquisas e frameworks de consultoria como a McKinsey, especialmente quando o tema é performance organizacional e transformação digital.
Alocação de dev resolve backlog, não resolve negócio, quando usada como lente de gestão, ajuda líderes a reorientar decisões e a construir uma operação de produto mais eficaz. Em vez de buscar apenas “mais capacidade”, a organização passa a otimizar o sistema de entrega para valor. Entre os benefícios mais relevantes estão:
Alocação de dev resolve backlog, não resolve negócio contrasta com o modelo tradicional de “encher o time” para reduzir filas. A tabela a seguir ajuda a avaliar diferenças de gestão, fluxo e impacto.
| Critério | Alocação de dev resolve backlog, não resolve negócio (visão orientada a sistema) | Modelo tradicional (alocar mais dev para backlog) |
|---|---|---|
| Objetivo principal | Maximizar outcomes e reduzir desperdício | Maximizar output e reduzir fila aparente |
| Forma de planejar | Por capacidade, metas, hipóteses e métricas | Por demanda, urgência e volume de tickets |
| Gestão de WIP | Limites explícitos e foco em fluxo | WIP alto e multitarefa como padrão |
| Previsibilidade | Baseada em lead time, throughput e variabilidade | Baseada em estimativas e replanejamento frequente |
| Dependências | Mapeadas, reduzidas e geridas com governança | Tratadas caso a caso, com alto custo de coordenação |
| Qualidade | Ownership claro, padrões e guardrails | Risco maior de inconsistência e retrabalho |
| Onboarding e ramp-up | Planejado e minimizado por estabilidade de squads | Recorrente e caro por trocas frequentes |
| Indicadores executivos | OKRs, métricas de produto e DORA/flow metrics | Burn down, quantidade de entregas e SLA de tickets |
Alocação de dev resolve backlog, não resolve negócio se torna especialmente útil quando a empresa já investiu em pessoas, porém não vê melhoria proporcional em resultados. Alguns sinais indicam que é hora de mudar o modelo de entrega, em vez de apenas escalar headcount.
Primeiro, considere a mudança quando o backlog cresce apesar de contratações e quando prioridades mudam semanalmente. Nesse cenário, o problema não é falta de execução, mas ausência de mecanismos de seleção, corte e sequência. Portanto, você precisa de um funil de priorização com critérios econômicos e técnicos, além de limites de entrada.
Em segundo lugar, implemente essa abordagem quando há muitos projetos iniciados e poucos finalizados. Normalmente, isso indica WIP excessivo e dependências não geridas. Assim, o foco deve migrar para terminar antes de começar, com governança de portfólio, gestão de riscos e redução de acoplamento.
Em terceiro lugar, é o momento certo quando incidentes e problemas de produção competem com delivery e consomem a agenda do time. Nesse caso, adicionar desenvolvedores ao backlog não resolve a instabilidade. Em vez disso, você precisa reservar capacidade para confiabilidade, atacar causas-raiz e investir em observabilidade, testes, CI/CD e automação.
Além disso, a abordagem se aplica quando o time reporta baixa clareza de requisitos e alto retrabalho. Se discovery falha, mais execução apenas acelera correções. Logo, critérios de prontidão, validação de hipóteses e definição de métricas devem preceder a implementação.
Por fim, adote esse modelo quando a liderança precisa justificar investimentos com métricas de negócio. Ao conectar trabalho a outcomes, você melhora governança, reduz disputas por prioridade e fortalece a narrativa executiva para orçamento, conselho e auditorias.
Alocação de dev resolve backlog, não resolve negócio aparece com frequência em plataformas B2B que cresceram por pedidos de clientes estratégicos. Imagine uma empresa de software para gestão financeira corporativa com três squads: Core Ledger, Integrações e Experiência do Cliente. O backlog total soma milhares de itens, e a área comercial pressiona por customizações para fechar contratos enterprise.
O CTO decide alocar mais desenvolvedores para Integrações, pois a fila de conectores é a maior. No primeiro mês, o throughput aumenta, porém o lead time piora. Isso ocorre porque cada conector depende de validação de segurança, homologação com o cliente e ajustes no Core. Além disso, a equipe de Core vira gargalo, pois precisa revisar alterações e garantir consistência de domínio. Consequentemente, o time entrega mais PRs, mas fecha menos demandas ponta a ponta.
A virada acontece quando a liderança redefine a operação com três decisões. Primeiro, cria um portfólio trimestral com objetivos mensuráveis: reduzir churn em contas enterprise, diminuir tempo de onboarding e cortar incidentes críticos. Segundo, define classes de serviço: (1) roadmap estratégico, (2) obrigações regulatórias, (3) confiabilidade e (4) demandas comerciais com score de impacto. Terceiro, limita WIP por squad e estabelece um mecanismo de gestão de dependências semanal.
Em seguida, o time reclassifica o backlog. Muitos itens viram “não fazer agora” porque não movem métricas e geram alto custo de manutenção. Além disso, o time transforma pedidos comerciais em pacotes padronizados, reduzindo customização e aumentando reuso. Paralelamente, a engenharia cria um kit de integração com contratos, testes e observabilidade, diminuindo tempo de homologação.
Após algumas sprints, o volume do backlog ainda existe, porém a empresa muda a régua: ela mede tempo de ciclo por tipo de demanda, taxa de bloqueio, incidentes por mudança e impacto em onboarding. Com isso, a organização passa a dizer “não” com critério, entrega menos itens, mas melhora a retenção e reduz custo operacional. Nesse contexto, alocação de dev resolve backlog, não resolve negócio deixa de ser um diagnóstico e vira uma política de gestão do sistema.
Não. Significa que contratar ou alocar mais pessoas não deve ser a primeira resposta. Primeiro, avalie gargalos, WIP, dependências e qualidade. Depois, se a capacidade continuar insuficiente para objetivos prioritários, a contratação pode ser a decisão correta.
Relacione trabalho a outcomes: receita incremental, churn, NPS, redução de custos, mitigação de risco e disponibilidade. Além disso, apresente métricas de fluxo como lead time e taxa de retrabalho para mostrar eficiência real do sistema.
Use uma combinação de métricas de produto e engenharia: OKRs, North Star Metric quando aplicável, lead time, cycle time, throughput, WIP, taxa de bloqueio, change failure rate e tempo para restaurar serviço.
Defina classes de serviço e critérios de entrada. Assim, urgências reais entram com custo explícito, deslocando outras demandas. Além disso, crie opções de produto padronizadas para reduzir customizações e preservar escalabilidade.
Mapeie dependências recorrentes, reduza acoplamento com melhorias arquiteturais e estabeleça rituais de sincronização focados em bloqueios. Além disso, invista em contratos de API, versionamento e testes de integração automatizados.
Sim, e com ainda mais força. Em legado, o custo de contexto e o risco de regressão são maiores. Portanto, estabilidade de squad, ownership e capacidade dedicada para modernização e confiabilidade tendem a gerar mais impacto do que alocação pontual.
Trabalhe com objetivos claros, hipóteses e métricas por iniciativa. Além disso, promova discovery contínuo, experimentação quando fizer sentido e revisão periódica de impacto, para que o time aprenda e ajuste rota.
O PM deixa de gerir uma lista e passa a gerir um sistema de decisões: priorização por valor, definição de trade-offs, clareza de métricas e alinhamento com stakeholders. Consequentemente, o backlog vira instrumento, não destino.
Forme squads com missão clara, autonomia sobre um domínio e interfaces bem definidas. Além disso, use guardrails de arquitetura, segurança e observabilidade para manter consistência sem centralizar decisões.
A Kel Tech Solutions pode apoiar com squads estratégicos e execução de iniciativas críticas, combinando engenharia, produto e práticas de entrega. Além disso, pode estruturar governança de fluxo, reduzir gargalos e acelerar entregas alinhadas a objetivos, evitando que a empresa trate alocação como solução para um problema sistêmico.
